Existe cura para a síndrome do pânico?

Existe cura para a síndrome do pânico?

Certamente você já fez essa pergunta logo após uma crise ou ainda pensa na possibilidade de um dia acordar e não sentir mais aquela sensação de insegurança e medo. Após a minha primeira crise, há sete anos, fiquei me questionando diariamente sobre a possibilidade de achar um botão de desliga. A cada episódio, começava uma nova empreitada para tentar achar a cura. Mal sabia que o controle do transtorno estava mais próximo do que eu imaginava e dependia de mim.

Segundo o departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, 10% da população sofrem com o pânico em São Paulo. Já a Organização Mundial de Saúde acredita que de 2% a 4% da população global tenha o transtorno.

Então, é alguma deficiência do meu cérebro que não tem cura? Só vou melhorar com um ato cirúrgico? As duas respostas são não. Fique tranquilo. Você é igual a outras pessoas. Não há nada que não possa ser controlado. No decorrer da infância, juventude ou até na fase adulta podemos desenvolver a ansiedade e, consequentemente, o pânico. Um tratamento adequado conseguirá mapear isso em cada pessoa.

Cada indivíduo pode ter um diagnóstico diferente. Por exemplo, quando eu era pequeno familiares comentavam que eu tinha um aspecto de doente, que era para comer mais, porém, sempre tive antipatia por vários alimentos, mas era obrigado a comer. Especialistas destacam que os sintomas de ansiedade em crianças muitas vezes são confundidos com teimosia (Você é muito fresco. Limpe o prato. Se não comer, vai ficar fraco ou vai ficar doente). Na fase adulta, coincidência ou não, tive a primeira crise do pânico num restaurante e por muito tempo fiquei com medo de comer fora.

Então, qual é o segredo para controlar o transtorno de pânico e nunca mais sentir esses medos? Primeiro, não espere sempre ter uma nova crise para procurar ajuda de um profissional. A cada novo episódio do transtorno você fica mais desesperado e sem ânimo.

Segundo o terapeuta Paulo Rubens, com um tratamento adequado é possível nunca mais ter novas crises de pânico. Ele acrescenta que há muitas pessoas que nunca mais sentiram nenhum sintoma.

Vamos mostrar a seguir quatro tópicos para colaborar com a busca pela cura. Porém, eles não substituem um tratamento com especialistas (psicólogos, psiquiatras, psicanalistas e outros terapeutas).

 

Vamos começar pelos alimentos

ansiedade, alimentação e síndrome do pânico

Somos o que comemos. Quando comemos muito açúcar, carboidrato e gordura, acabamos com sobrepeso. E quando comemos alimentos que estimulam de maneira negativa a atividade cerebral? Eles causaram algum impacto no sistema nervoso.

De acordo com a nutricionista Ana Karina Nogueira, ao se tratar de um transtorno psicológico é essencial pensar também na saúde intestinal, pois é no intestino delgado que é produzido diariamente 90 a 95% da serotonina (o neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e bem estar).

Ana explica que se deve analisar como está a função intestinal, verificar um possível desequilíbrio da flora intestinal (chamado de disbiose) e também de permeabilidade intestinal, quadro em que o intestino se torna permeável a entrada de macromoléculas, toxinas e microorganismos. Isto poderá causar a deficiência na absorção de determinados nutrientes, inclusive os essenciais para uma boa saúde mental, como é o caso da vitamina C, vitaminas do complexo B, magnésio, ácido fólico, zinco e ferro.

Quatro dicas da especialista que não pode faltar no prato

Consuma ovos, a gema é rica em colina, componente da formação de novos neurotransmissores. Esqueça o mito do colesterol ruim no ovo.

Alimentos fontes de óleos vegetais ricos em ômega 3,6 e 9 são importantes para a melhora dos impulsos cerebrais. Como fontes, podemos citar: azeite de oliva extra-virgem, oleaginosas, linhaça, gergelim e óleo de coco extra-virgem.

Invista em alimentos fontes de vitaminas do complexo B: arroz integral, amaranto, quinoa, aveia, vegetais verdes escuros como couve, espinafre, agrião e brócolis.

Magnésio é um mineral importante para o coração e cérebro, podemos encontrá-lo em oleaginosas, cevada, aveia, arroz integral, farelo de milho, farelo de arroz, gérmen de trigo, semente de abóbora e girassol seca e gergelim.

 

Mudanças de hábitos

ansiedade e exercicios

Um dos principais medos da pessoa com síndrome do pânico é falhar ao tentar controlar o transtorno. São muitos medicamentos e outras terapias, mas não há o resultado esperado. Para o terapeuta Paulo Rubens, é preciso ficar atento no que você está deixando passar. Funciona como se fosse um quebra-cabeça. Você vai montando a imagem peça por peça, mas algumas estão faltando. São elas que acabam fazendo com que você tenha novas crises. Então, é preciso voltar um pouco para observar onde é preciso mudar. Por isso, há uma série de pequenos hábitos que ajudam no dia a dia e complementam o tratamento.

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Primeiro, pratique exercícios. Eles vão ajudar a tirar a sensação de um corpo doente. Quando uma nova crise surge, pensamos em um ataque cardíaco ou um aneurisma. Mas quando praticamos algum esporte de alto rendimento, como uma corrida, certamente descartamos isso. Afinal, se o coração aguenta correr cinco quilômetros sem parar porque não aguentaria uma crise.

Depois, tente levar uma vida mais tranquila. Coloque na agenda tudo que vai fazer no dia a dia, definindo prioridades. Isso ajuda com que você não faça tudo ao mesmo tempo, correndo o risco de ficar achando que faz tudo errado ou com falta tempo.

Tenha aquela pessoa que você pode confiar e contar sobre a síndrome, o que está acontecendo.
Não se afaste de rodas de amigos e familiares. Um bom bate papo e contar sua história ajuda muito.

 

Entenda a doença e perca o medo de morrer

Quais são os sintomas do pânico?

Não é novidade para os especialistas que muitas pessoas que vão parar no pronto-socorro estão lá sem saber o que realmente está acontecendo. Segundo o cardiologista André Gomes Andrighetto, o problema reside no fato de os pacientes saírem do consultório com a frase “você não tem nada”. Isso faz com eles fiquem confusos, já que os sintomas voltam e eles seguem procurando novas consultas.

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A frase correta do médico deveria ser “você não tem nada de errado no coração, mas sugiro que busque um tratamento específico para sua ansiedade.

A frase do especialista é essencial para você perder o medo de infarto durante uma crise de pânico. O ideal é procurar um médico para ver se não há nada de errado e, depois do resultado negativo para qualquer doença, focar em perder esse medo.

Dias atrás conversando com uma psiquiatra, ela enfatizou que as pessoas que chegam ao consultório com um conhecimento sobre a síndrome do pânico são as que estão melhores – com menos medo e com as crises controladas.

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Portanto, é ideal primeiro controlar esse medo de que vai acontecer algo terrível. Você não vai morrer. Depois disso será mais fácil controlar a ansiedade. Leia mais informações, procure terapeutas que ajudem a combater esse medo.

 

Medicamentos no combate ao transtorno

medicamentos

Por último, mas não menos importante, estão os tratamentos e medicamento disponíveis no mercado. É preciso saber qual alternativa é melhor para o seu perfil.

Apesar do preconceito com relação aos medicamentos, eles são muito importantes e colaboram para o tratamento. Porém, você não deve achar que eles são a solução dos problemas. No meu caso, com a medicação consegui controlar as crises, mas nunca deixei outras terapias de lado.

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Explicaremos a seguir um pouco de cada medicamento, mas quem vai saber qual é o melhor para você é o psiquiatra.

Antidepressivos Tricíclicos: grupo de medicamentos mais testado no tratamento da síndrome do pânico. É usado para reduzir a frequência dos ataques, combatendo também a ansiedade. Hoje, os médicos estão receitando menos por causa dos efeitos colaterais: constipação intestinal, ganho de peso e disfunções sexuais. Alguns sintomas fizeram com que muitos pacientes deixassem o tratamento. O ponto positivo dele está na eficácia. Segundo estudos, o medicamento ajudou a reduzir 80% dos casos dos pacientes testados. Ele também tem baixo índice de dependência. Dentro desse grupo há (nomes químicos): Imipramina, Clomipramina, imipramina, maprotilina e nortriptilina.

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Inibidores seletivos da recaptação da serotonina: não apresentam a maioria dos efeitos colaterais encontrados nos tricíclicos por não serem anticolinérgicos e nem por apresentarem afinidade com receptores adrenérgicos, colinérgicos, dopamínicos, histamínicos ou muscarínicos. Eles também combatem a ansiedade. Ponto negativo: os efeitos demoram um pouco para aparecer: começam de duas a quatro semanas após o início do tratamento. Meu remédio (Exodus) é dessa classe. Estou me sentindo confortável com ele. Dentro desse grupo há (nomes químicos): fluoxetina, nefazodona, paroxetina, sertralina e citalopram.

Benzodiazepínicos (ansiolíticos): são considerados bons por terem um rápido início de ação. Para a maioria dos psiquiatras, essa classe de medicamento pode ajudar no tratamento enquanto os antidepressivos ainda não fizeram efeito. É mais usado para momentos de crises, pois têm rápida eficácia, principalmente no efeito sedativo. Porém, é preciso tomar cuidado: esse tipo de substância pode causar dependência, como sintomas de abstinência. Portanto, eles precisam ser tomados em doses diárias e regulares de acordo com a prescrição do médico. Nomes químicos: Fluvoxamina, Mianserina, Mirtazapina, Reboxetina, Tialeptina, Trazodona, Venlafaxina, Duloxetina, Bupropiona e Ecitalopram.

 

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de autoria de: Eduardo Correia

Idealizador do projeto Pânico Terapia.

Existem 10 comentários para este artigo
  1. paloma gomes at 11:22 pm

    Tb sofro com isso é horrível mas tem pessoas q acha q é frescura mas em mim é diferente antes eu tinha muito medo de morrer agora tenho medo dos meus filhos morrerem é pior ainda o medo é maior

  2. Elisa at 7:32 pm

    Quero agradecer-lhe pois se tem algo que a todo momento eu penso é que a crise de pânico é o início da loucura e isso me apavora.
    Porém lendo seus artigos me sinto mais tranqüila!
    E que posso buscar a cura,não só com medicamentos.

  3. Clarissa Donga at 2:59 pm

    E quanto a pesquisa em andamento que identificou a existência de um cromossômo em pacientes que sofrem de síndrome do pânico? E que não foi encontrado em pessoas consideradas sadias? Qual a evolução da pesquisa?

  4. Fabricio at 2:44 am

    Eu estou tomando paroxetina. Me disseram que o excilatopram e melhor que a paroxetina. Eu tomava cerveja mas agora com o uso da paroxetina será que faz mal? Quem quiser Ser meu amigo ou minha amiga fale comigo no email. Boa noite

  5. Fernanda Alves at 4:05 pm

    Olá boa tarde, tinha minha vida normal, até que um dia ia sendo assaltada e fiquei com medo z tive uma crise de pressão e de lá pra cá nunca mais tive uma vida normal como antes. Eu tive uma crise, ia todo dia no medico pq não sabia o que tinha. O médico só me disse que eu tava gorda e que eu precisava emagrecer. E pronto fui no cardiologista ele disse que eu tinha nada no coração mas que precisava emagrecer pq tava muito acima do peso. Então de lá pra cá entrei numa reeducação alimentar, faço hidroginástica mas tive outra crise do nada, tava em casa quando senti e pronto mal saiu de casa com medo de sentir algo na rua, hj fui no restaurante almoça e parecia que ia morrer de tanto mal está que senti só senti vontade de voltar pra casa e um medo de tá na rua. Enfim não tomo remédio queria não tomar. Só faço rezar e Pedir a Deus minha cura, peço todo dia toda hora mas tá muito difícil não vou mentir, desânimo, dor no corpo, tenho é medo de ter uma depressão, pelo todo dia q Deus pra não ter essa doença maldita, e Deus irá me livrar, mas me sinto inútil total, antes viajava todo final de semana, sai todo santo dia mas meu esposo e depois dessa crise de ansiedade ou pânico mal tenho saído. Só infurnada dentro de casa. Mais Deus é pai e eu vou melhorar se Deus quiser.. Obg por tirar minhas dúvidas. Irei procura ajuda no médico com terapias quem sabe

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