Sobre o transtorno de pânico e a hipocondria

Sobre o transtorno de pânico e a hipocondria

— Menino, você está muito magrinho. Vai ficar doente.

— Quando você ficar doente, vai tomar injeção.

— Não comeu nada. Desse jeito vai para o hospital.

Quem nunca ouviu uma frase parecida quando era criança? A preocupação de meus familiares não era maldosa. Pelo contrário, tratava-se de um zelo. Eles não tinham consciência de que falando dessa maneira poderiam prejudicar o meu desenvolvimento. Depois de ouvir muitos comentários semelhantes, desenvolvi no final da adolescência e no início da vida adulta a hipocondria – quando a pessoa sente uma sensibilidade muito grande do próprio corpo.

Para ser mais claro, eu sentia uma dor diferente e já a ligava a uma doença. Uma dor muscular poderia ser um câncer nos ossos, uma dor no peito um sopro no coração ou uma dor na cabeça um tumor. Embora pareça estrabgi — muitas pessoas já pensaram que é era brincadeira —, o transtorno é sério e requer tratamento. Para “curar” essas dores, o hipocondríaco vai tomar uma série de remédios, inúmeras vezes sem procurar um especialista, o que é prejudicial.

Mais sensações do hipocondríaco:

– Procurar o que as sensações físicas que está sentindo podem significar;
– Tomar vários remédios por dia;
– Procurar vários médicos para fazer exames, mesmo o especialista destacando que não é preciso fazê-los;
– Passar mal rapidamente quando sente alguma dor diferente.

É claro que nem sempre a pessoa desenvolve o transtorno por causa de frases. Pode ser um trauma, insegurança ou um susto.

Outras causas para o transtorno:

– Passar por um processo cirúrgico na infância;
– Ficar muito doente quando criança;
– Ansiedade;
– Morte de familiares;
– Ter familiares com hipocondria.

A minha síndrome do pânico ficou ligada a hipocondria e só consegui superar com vários anos de terapia. Depois de sentir algo errado, começavam as crises.

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Segundo a Revista Brasileira de Psiquiatria, a hipocondria é associada a diversos transtornos de ansiedade, sobretudo ao transtorno de pânico. “Estima-se que 50% a 70% dos pacientes com pânico tenham sintomas hipocondríacos, e que 13% a 17 % dos hipocondríacos tenham transtorno do pânico”.

É essencial que o hipocondríaco, caso o transtorno dure por mais de seis meses e comece a prejudicar a vida social, procure um médico para fazer um check-up. Alguns exames ajudarão a mostrar que não existe doença. Ao mesmo tempo, é necessário buscar ajuda de um especialista: terapeuta, psiquiatra ou psicólogo.

Outro passo é fugir de sites e livros que descrevem doenças. Sério. Já assisti a um filme e comecei a pensar que poderia ter o mesmo problema.

E, para finalizar, leve ao especialista uma lista com todos os sintomas que observa diariamente, do que tem medo e se já passou por outros médicos ou tratamentos.

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de autoria de: Eduardo Correia

Idealizador do projeto Pânico Terapia.

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